A idade dos porquês

DESENVOLVIMENTO
Bem-vindos à idade das perguntas, aquela em que as crianças começam a querer compreender como funcionam as coisas, as pessoas, as emoções...
Quando adquirem certas capacidades de raciocínio, o que mais interessa às crianças  é compreender como funciona o que as rodeia. Por isso, não se cansam de reunir informação e, sobretudo, de a questionar. As perguntas (repetitivas) que fazem ajudam-lhes a expandir o seu conhecimento e a sentir que vão controlando este mundo que tantas dúvidas lhes causa, sobretudo em relação aos seguintes temas:
 
O funcionamento das coisas. Temos que rever os nossos conhecimentos porque com crianças desta idade precisamos de estar prontos para responder a perguntas como “Por que é que o céu é azul?”, “por que é que a água molha?”, “como é que a lâmpada dá luz?”...
 
As inconsistências. “Por que é que o papá te pede para dizeres que não está quando o tio Luís telefona?”, “Por que é que nunca mais fomos ao parque com a tua amiga e os filhos?”... Chegou o momento em que os fingimentos ou silêncios deixarão de ser eficazes para evitar que os nossos filhos se apercebam de certas situações.
 
A sexualidade. A descoberta das diferenças anatómicas entre menino e menina é o primeiro passo para uma aproximação ao mundo da sexualidade, à reprodução e, no fundo, à noção de vida e morte. Daí que não devamos estranhar perguntas como “quando é que a mana vai ter pelos?” e “por que é que umas pessoas têm pilinha e outras não?”...
As emoções. Já são capazes de reconhecer e nomear emoções que antes lhes passavam despercebidas, como o aborrecimento, a tristeza e a calma. Mas ainda se admiram perante certas reações, como o facto de alguém estar triste por algo que (a seus olhos) não é assim tão importante ou por que é que alguém pode desatar a chorar de riso.
 
O crescimento. Lavar os dentes, pedir por favor, agradecer, deixar a roupa em cima da cadeira... Coisas que a nós nos parecem óbvias, para os nossos filhos não são assim tanto. “Por que é que agora tenho que fazer tantas coisas?”, é a pergunta que se esconde atrás de tantas outras relacionadas com a higiene, os horários, as rotinas, as normas e os hábitos familiares e sociais.
Primeiro, questione-se a si próprio
Em certas ocasiões, as dúvidas das crianças têm rasteira. Por isso, é importante saber interpretá-las para dar as respostas mais adequadas. Para fazê-lo, antes de responder, questione-se a si próprio:
 

Que quer realmente dizer?

Se uma criança de três ou quatro anos pergunta, por exemplo, se vamos morrer, quer saber se isso vai acontecer agora, neste momento, e não o conceito de efemeridade ou morte real. Portanto, a resposta é muito diferente daquela que daríamos a uma criança mais velha.
 
Quer saber ou quer só iniciar um diálogo? Uma pergunta pode ser a melhor maneira de iniciar uma conversa com os pais. Por isso, nem sempre é importante a resposta. Às vezes é mais enriquecedor escutar as opiniões, refletir, duvidar ou rir-se do pouco (ou muito) que cada um sabe sobre o tema.
 

As suas perguntas expressam um receio?

Já sabemos que, muitas vezes, o que tememos nos atrai. Por isso algumas perguntas levam-nos, sem querer, a dar-lhes detalhes que na realidade não necessitam (sobre o acidente que viram na televisão, por exemplo). Nestes casos, o ideal é deixar de responder e legitimar o seu medo: “Estás preocupado com o que aconteceu. Mas deves acalmar-te… que tanto tu como eu estamos bem.” 
Mãe por que é que esta senhora é tão feia?
Quando as indiscrições dos filhos nos põem em cheque, não devemos repreendê-los. Isto acontece porque as crianças desta idade sabem pouco sobre os sentimentos dos outros. As suas perguntas não são mais que o reflexo da sua espontaneidade e curiosidade. Cabe-nos a nós desculparmo-nos perante a pessoa ofendida e, de seguida, explicar à criança porque é que a senhora se sentiu mal e como o deve evitá-lo futuramente.
 
Querido, não sei a resposta
Se a resposta a uma pergunta é desconhecida, não há problema em admiti-lo. Podemos, isso sim, fazer com que o interesse do nosso filho não desapareça. Assim:
-  Responda com outra pergunta: “E tu? O que achas?”. É um clássico dos clássicos mas, funciona! Interessarmo-nos pelo o que a criança opina e fantasia sobre uma questão que desconhece enriquece a comunicação e leva a pensar.
-  Procure a resposta. Internet, livros, enciclopédias, filmes e outras pessoas (“Isso a prima vai-te explicar muito bem, vamos falar com ela!”). Há uma infinidade de recursos que podemos usar para nos informarmos de qualquer assunto que não dominemos.

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